16/11/2007 23:43
"Andaime" e a nossa estupidez
Há muito em comum entre os trabalhadores contemporâneos e os pesonagens da peça "Andaime", de Sergio Roveri, que reestreiou agora há pouco no Teatro Renaissance, em São Paulo.
Ouvindo o diálogo entre os dois limpadores de vidraças de prédios, percebe-se como o trabalho, realmente, forja a nossa visão de mundo.
Nenhum de nós, independentemente do trabalho, neste século 21, pode dizer que está em situação diferente daqueles personagens. Ao ar livre, no entanto, presos. Estamos todos no andaime.
Roveri soube captar esse sentimento.
Lembra-se do início da história capitalista quando o trabalhador é obrigado a enclausurar-se em fábricas. Lembra-se da argumentação de Adam Smith para defender a educação mesmo sem resultado lucrativo aparente, mas apenas para impedir as ações repetitivas impostas pela divisão do trabalho pudessem fazer "do homem tão estúpido e ignorante quanto é possível uma figura humana tornar-se".
"Andaime" vale a pena pelo tema atualíssimo, pelas interpretações ótimas de Cassio Scapin e Claudio Fontora, pela direção de Elias Andreato (vencendo as limitações de espaço) e, sobretudo, para nos deixar sempre impelidos a refletir sobre o que podem fazer ou o que fazemos com nós mesmos.
enviada por Jorge Felix
Feed: Seja avisado quando este blog for atualizado ::
(O que é isso?)