Foto: Biô Barreira

Jorge Felix é jornalista, 40 anos, trabalhou por quase 10 anos no Jornal do Brasil, onde foi repórter especial em São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro. Foi editor-assistente de Política da revista IstoÉ; colunista do portal AOL, repórter de economia dos telejornais Bom dia, Brasil e Jornal da Globo e coordenador de produção do Jornal Nacional. Na Editora Globo, foi um dos criadores da revista Quem, da qual foi redator-chefe. Na TV Cultura, implantou e coordenou o Núcleo de Comunicação da Fundação Padre Anchieta. Foi sócio da editora Barcarolla. Desde abril de 2006, integra o staff de editores da Letras&Lucros. Também escreve nas revistas Update (Amcham), ValorInvest e no jornal Valor Econômico.

02/06/2008 13:39

"A megera" circense do Ornitorrinco

A montagem de “A megera domada”, que estreiou anteontem à noite no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, é imperdível.

A produção comemora os 30 anos do Teatro do Ornitorrinco e seu gigantismo, com 17 atores e 4 músicos no palco, já seriam motivos suficientes para assistir a peça de W. Shakespeare.

Mas Cacá Rosset foi além. “A megera” do Ornitorrinco é ímpar e garante a diversão. Primeiro, por respeitar o histórico de encenação do mais irreverente grupo em atuação no país.

As mesmas intervenções políticas e a descontração que marcaram a trajetória desta balzaquiana companhia, com montagens shakespearianas sempre bem feitas, estão lá.

Isso, porém, seria pouco para a data tão importante. Cacá ousou. Ofereceu ao público brasileiro a oportunidade rara de ver o prólogo de “A megera”. A peça, mesmo na Royal Shakespeare Company, tem sempre cortado este trecho típico das encenações do século 16.

O próprio Cacá faz o personagem Christopher Sly, o pobre que é travestido em nobre e convidado para uma viagem pelo teatro. Um típico exemplo da metalinguagem tão admirada e adotada por Shakespeare. Só isso já faz da montagem do Ornitorrinco algo especial.

A direção acerta em adotar a saída circense - tão própria do Ornitorrinco - para os momentos de ingenuidade do texto. Embora algumas interpretações possam estar exageradamente circenses segundo alguns comentários ouvidos no dia da estréia, no balanço, como sempre, o circo sempre é um grande espetáculo. Não é diferente em "A megera" do Ornitorrinco.


enviada por Jorge Felix






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