02/06/2008 13:39
"A megera" circense do Ornitorrinco
A montagem de A megera domada, que estreiou anteontem à noite no Teatro Sérgio Cardoso, em São Paulo, é imperdível.
A produção comemora os 30 anos do Teatro do Ornitorrinco e seu gigantismo, com 17 atores e 4 músicos no palco, já seriam motivos suficientes para assistir a peça de W. Shakespeare.
Mas Cacá Rosset foi além. A megera do Ornitorrinco é ímpar e garante a diversão. Primeiro, por respeitar o histórico de encenação do mais irreverente grupo em atuação no país.
As mesmas intervenções políticas e a descontração que marcaram a trajetória desta balzaquiana companhia, com montagens shakespearianas sempre bem feitas, estão lá.
Isso, porém, seria pouco para a data tão importante. Cacá ousou. Ofereceu ao público brasileiro a oportunidade rara de ver o prólogo de A megera. A peça, mesmo na Royal Shakespeare Company, tem sempre cortado este trecho típico das encenações do século 16.
O próprio Cacá faz o personagem Christopher Sly, o pobre que é travestido em nobre e convidado para uma viagem pelo teatro. Um típico exemplo da metalinguagem tão admirada e adotada por Shakespeare. Só isso já faz da montagem do Ornitorrinco algo especial.
A direção acerta em adotar a saída circense - tão própria do Ornitorrinco - para os momentos de ingenuidade do texto. Embora algumas interpretações possam estar exageradamente circenses segundo alguns comentários ouvidos no dia da estréia, no balanço, como sempre, o circo sempre é um grande espetáculo. Não é diferente em "A megera" do Ornitorrinco.
enviada por Jorge Felix
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